Diário CT: Sangue Quente
Escrito por Bruna Costenaro | Listado em Diário CT | Publicado em 22-04-2012
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Eu nunca havia lido um livro de zumbis, e meu conhecimento a respeito de zumbis vem de irmãos fãs de Resident Evil, logo estou acostumada a zumbis burros e letais quando próximos. Mas em Sangue Quente, do autor Isaac Marion e publicado pela Editora Leya, isso tudo é bem diferente.
O mundo está destruído e os zumbis invadiram a Terra. R. é um zumbi que mora em um aeroporto abandonado com outros zumbis, seus dias são iguais: caçar os poucos humanos que sobreviveram se deliciando com seus cérebros e se divertir com a escada rolante quando a energia funciona. Ele não se lembra quem foi, seu nome ou qualquer coisa sobre sua vida. Até que em uma caçada ele conhece Julie, depois de impedir que seus colegas zumbis a matem.
R. leva Julie ao aeroporto e passa a protegê-la, ao mesmo tempo em que percebe que ele está diferente, algo está mudando, algo o impede de matá-la, por que? E para completar, depois de se alimentar do cérebro do namorado de Julie, passa a ter visões sobre a vida deste além do costume (é normal para os zumbis ter flashs da vida do dono do cérebro ao comer estes).
A trama é narrada em primeira pessoa na visão de R., mas quando ele tem visões, passa a narrar a história sob o ponto de vista de Perry, já que as visões são sobre a vida de Perry até sua morte (ponto positivo que faz com que a narração seja diferente). O livro é dividido em três passos, o primeiro passo: querer, o segundo passo: atacar, e terceiro: viver. Ao início de cada capítulo há uma gravura de uma parte do ser humano sob o ponto de vista interno.
Confesso que tive dificuldade em aceitar que um ser zumbi que tem o cérebro em estado de decomposição tenha narrado a trama com tamanho detalhes e raciocínio. Isso é um ponto negativo, mesmo que o fim do livro tenha um atenuante. Mesmo se tratando de um romance fantástico não me convenci da possibilidade que o final traz, ele vai contra a natureza humana.
E como não se trata de nenhum feitiço aceitar o fim com uma explicação natural não me desceu. Entretanto a explicação dada pelo autor para a onda de zumbis é boa, na verdade o livro possui uma veia crítica grande, questionando o modo de vida vigente e nos fazendo pensar a respeito, e foi isso que me prendeu ao livro. E é o que eu mais gostei dele.
R., o zumbi, é um ser que questiona tudo que lhe é passado, desde o momento que tem uma luz de inteligência a agarra. Ele procura não só defender Julie como curar o mundo. É encantador ver como ele se apaixona pelas pequenas coisas do dia-a-dia e como desenvolve o amor por Julie.
Julie, é uma sobrevivente, já passou por muitas perdas, o que a tornou uma adolescente forte e madura, que não tem medo de enfrentar uma orla de zumbis se preciso for ou a paixão que sente por R. mesmo que ele ofereça risco a sua vida. É uma mulher em corpo de adolescente.
Se você conseguir esquecer o fato de o protagonista ser um zumbi inteligente, Sangue Quente vale a leitura, não é um must read, mas oferece diversão e um pouco de pulgas atrás das orelhas. Logo o romance terá sua adaptação nos cinemas, a trama chega aos cinemas americanos em agosto deste ano.







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Oi, Bruna!
Eu consegui me desligar completamente do fato de \cérebro em decomposição\, e me joguei no romance do R. e Julie.
Achei bem bonitinho, apesar de ter umas partes beeeem forçadas e a lição de moral final ser bem clichê.
Ótima resenha, sua linda!
Eu curto zumbis ,na verdade curto matar-los estilo Tallahassee (Woody Harrelson) em Zumbilândia . Escrever sobre zumbis não é tarefa fácil por essa coisa de fim do mundo e bla bla bla. A sua escrita como sempre impecável muito boa mesmo. Mas a historia não é nova zumbis conscientes envolvendo flash backs tem no filme Deadheads – 2011 pelo que conta não tem nada que pare o mundo mas só parando para foliar e ler e se interessar em algo que chame a atenção.
Gostei bastante da crítica da autora, e tenho que concordar com a mesma, no ponto em que imaginar um zumbie com razão o bastante para narrar sua trajetória é bastante contraditório. Ao que tudo indica, se assemelhará muito à série Eclipse ou estou enganado?
Não lembro se li algo de zumbis até hoje e fico na dúvida se gosto ou não do tema.
Mas gostei bastante da sua resenha. Prefiro os livros narrados em primeira pessoa porque podemos endenter mais os sentimentos do protagonista. E gosto muito quando utilizam esse método de mudar o narrador, já que, assim, podemos conhecer diversos pontos de vista.
Acho que pensaria igual a você a respeito de um zumbi narrando tão bem a história. Mas, pelo que você explicou dos personagens, eles parecem bem construídos, ponto que considero muito importante.
Sua resenha me despertou o interesse de ler, mas ainda não sei se vou conseguir separar o cérebro em decomposição da inteligência do personagem. Mas quem sabe futuramente?
Beijos,
Tatha
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