Diário CT: O Último Lobisomem
Escrito por Bruna Costenaro | Listado em Diário CT | Publicado em 19-08-2012
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“Não sei se tudo é um acidente que se elucida ou um desígnio inescrutável. Não sei como as pessoas deveriam viver – mas sei que devem viver, caso consigam suportar. Você ama a vida porque a vida é tudo que existe. E só sei isso porque descobri – novamente – o amor. Não há justiça: isso eu sei. Poucas preciosidades para mostrar ao longo de duzentos e um anos.” – Pág. 306
Na obra O Último Lobisomem, escrita por Glen Duncan e lançada pela Editora Record, Jake Marlowe é um lobisomem, mas não qualquer um, ele é o último lobisomem, já que o vírus que infectam os humanos e os transformam em lobos está extinto. Quando se vê diante dessa realidade, Jake desiste de lutar por sua vida e de lidar com os fantasmas de todos que matou que assombram dentro de si, inclusive de sua primeira e pior morte.
O WOCOP (World Organization for the Control of Occult Phenomena) tem como objetivo matá-lo, e Jake está disposto a deixá-los alcançar seu objetivo. Entretanto, enquanto aguarda sua última lua cheia, um assassinato inesperado e um encontro extraordinário fazem com que mude sua perspectiva da vida, fazendo-o lutar por sua vida e pelo amor.
Narrado em primeira pessoa, o livro é o diário que Jake escreveu sobre sua própria história, logo até o capítulo 55 é sob sua perspectiva que a história se desenrola. Do capítulo 56 até o fim do livro a perspectiva passa a ser narrada por Talulla. A narrativa é dividida em três partes, sendo a primeira, segunda e terceira lua, que são as três transformações.
A mitologia criada por Duncan é muito interessante e diferente do que costuma aparecer nos livros, o que fez com que eu gostasse da obra mesmo diante do meu total desinteresse por lobisomens. O estilo da escrita lembrou muito Anne Rice, com uma diferença: enquanto Rice descreve cenas de sexos com suas preliminares e de forma não direta, Duncan é direto, explícito e às vezes até deselegante.
Jake é um personagem forte, em meio a ação divaga pelo passado e resgata escritores e outros pensadores para complementar seu discurso. Luta fervorosamente contra a vida, contra o amor e o apego, e quando acredita que conseguiu vencer encontra o que mais temia: o amor. Sua libido é alta devido a transformação, assim o sexo é algo que passa por sua cabeça com muita frequência, ele lida com o assunto com muita praticidade e desapego, como ele mesmo diz: foder, matar, comer.
Antagônico, ele alterna uma face monstro onde procura alimentar a besta que nasce a cada lua cheia e uma face homem sensível que lamenta depois da pedra atirada. Para lidar com esta dualidade ele possui um humor fatalista, palavras ácidas e paciência curta. Mas a identificação com o personagem é inevitável.

A capa é simples e conta apenas em destaque às fases da lua, lua esta que é fundamental no enredo do livro. A diagramação é simples e conta com uma fonte pequena. Embora tenha apenas 334 páginas, o tempo de leitura foi o dobro do normal, não sei se por uma fase minha ou pelo ritmo mais exigente que o autor tem, longe dos fáceis YA. Duncan capricha nas descrições, e com elas você tem real noção da vida lupina. O Último Lobisomem é um livro atual com cara de clássico, com muita ação, sangue e sensualidade, é um exemplo de como fazer uma trama sobrenatural com maturidade e profundidade. É uma obra inteligente e indicada para quem não tem medo do bicho-papão.







Adorei a resenha, como sempre.
Sabe que eu nunca tinha lido nenhuma desse livro?
Adoro lobos, são os sobrenaturais que eu mais gosto, só que meu estilo preferido ainda é o YA.
Fiquei interessada nesse livro, mas não por agora.
Gostei de saber que quando ele desiste de tudo encontra o amor e acha pelo que lutar.
Também gosto de descrições, apesar de as vezes fazer a leitura soar cansativa, é bom para nos fazer entender mais o universo criado pelo autor.
Beijos,
Tatha
http://www.houseofchick.com
Livro maravilhoso, um pouco trabalhoso de ler. E o Duncan me decepcionou com o final:((