O Beijo do Dementador
Escrito por Thayz Phoenix | Listado em Colunas | Publicado em 15-05-2011
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Já é consenso o fato de que a vida é surpreendente, em seus mínimos detalhes. Planejamos, organizamos e planejamos mais um pouco, mas sabemos que a vida, o destino, o amanhã – chame como quiser – pode nos obrigar a mudar tudo, a seguir uma direção na qual sequer havíamos pensado. Essa é a magia da vida, não deixar que tudo se repita continuamente. Contudo, nem sempre esses fatos inovadores, por assim dizer, são bons. Há sempre coisas boas e ruins pela frente, difícil é percebermos as agradáveis. Mas, às vezes, é completamente inevitável não se deixar levar pela tristeza de alguns acontecimentos. São tão horríveis, repentinos e imutáveis que não conseguimos suportar. A morte, por exemplo.
Albus Dumbledore já dizia que “para uma mente bem estruturada, a morte é apenas a aventura seguinte” e, claro, concordamos com ele. Prepararmo-nos para a nossa própria morte não é fácil, mas é possível, ainda que desagradável cogitar a chegada de uma data como essa. É possível tentar não temer a morte, acostumar-se com a ideia de uma nova fase, de uma mudan
ça grande, mas, em algum sentido, boa também. Entretanto, tudo muda de figura quando se refere a outras pessoas. O fim daquela vida ganha outro sentido, outro significado e, desta maneira, provoca outros sentimentos e ações em nós. Tudo depende do que, em vida, foi construído com essa pessoa.
Se a odiamos – e, quando eu digo ódio, é o verdadeiro, não aquelas pequenas implicâncias sem propósito que todos nós partilhamos com alguém na vida -, e esse sentimento é tão terrível quanto raro, podemos não ligar para o fato. Dificilmente comemoraremos, não ficamos naturalmente felizes com a morte – talvez com as consequências desta, mas nunca com a morte em si -, não importa a situação, mas podemos não sofrer. Agora, se é alguém próximo, uma pessoa – ainda que distante – que gostamos, a sensação de desamparo é extremamente compreensível. Em nenhuma hipótese, queremos nos separar de tal pessoa, ou termos a certeza de que nunca mais a veremos na vida. É o mesmo de uma grande e longa viagem, acrescida da desesperança de retorno. E, bem, não sabemos viver sem esperança.
Imaginem o que é perder o pai, ou os pais, um amigo, um irmão, alguém que você amou a vida toda, estando junto ou não. Quer dizer, não imaginem. Ninguém realmente quer sentir sequer a dor da possibilidade, ainda que ela exista. Em todos os nossos livros, acompanhamos a morte de dezenas de pessoas. Vilões, cujos falecimentos representaram o começo de uma nova – e provavelmente melhor – era, pessoas simplesmente más – que pouca gente dá importância -, mas também acompanhamos a morte de personagens que amamos, fossem eles queridos universalmente ou não. Sofremos com suas mortes como se tivéssemos perdido um pedaço de nós mesmos. Como se parte da magia que sentimos ao abrir o livro tivesse sido suprimida por isso. Então relemos, para tentar recuperá-la a cada vez.
Mas nunca podemos esquecer que a morte não é a pior das coisas. Uma vida miserável, restrita, infeliz é uma morte gradual, que vai, aos poucos, minando cada coisa boa que há a nossa volta, restando apenas o lado ruim. Correndo o risco de ser extremamente específica, a morte gradual é um dementador. O beijo dele é somente a consequência de todo o seu trabalho desestimulador. O dementador suga a vida, tudo de bom que há nela, até que o que reste é apenas o que não deveria ser lembrado. A existência depois do beijo do dementador é exatamente uma existência. A alegria foi tomada. A vida foi embora e só restou o organismo funcionando. Não há nada que impeça que essa situação aconteça em nossa vida real.
Nada, eu digo, além de nós mesmos. Não é impossível nos preparamos para a ideia de que nossa vida acaba um dia. É extremamente complexo, mas também não impossível, aceitarmos que as pessoas que amamos também vão embora um dia, de um jeito irreversível. Não acho que devemos nos conformar com isso. Vamos sofrer e, se não fosse assim, não faríamos juz à importância de cada um deles. Mas, depois de tudo isso, precisamos seguir em frente. Ninguém quer ver o outro chorando por si, aquele que morreu queria tudo, menos deixar sofrimento para quem amou em vida. Nesses momentos terríveis, onde a felicidade parece distante e, quiçá, inalcançável, é preciso respirar fundo e remeter-se à saudade. Saudade dos sorrisos, das brincadeiras, da alegria.
Porque as lembranças, essas sim, são eternas.







QUE TEXTO MARAVELHOSO *O*!!!!!! Uma vez eu imaginei como seria meu cachorro morrendo e fiquei tão triste que não quis imaginar isso nem pros meus pais nem pra minha irmã e nem pra ninguém >.< Mas tenho quase certeza que todos já se perguntaram como as pessoas a nossa volta ficariam se nós mesmos morressemos…
Meeus parabéns!!!
Ameei de paiixão o texto!
Sinceramente, é inevitável a dor da morte de alguem. Só de pensar nisso me forma um nó na garganta e… Não, nao vou pensar.
Alvo Dumbledore foi o mais corajoso em si, pois se rendeu a morte. E Lord Voldemort é sem dúvidas, o mais temeroso, pois temia mais que tudo a morte.
Adorei! :)
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A cada coluna a Thayz se supera, essa então me deixou muito emocionado, pois perdi meu padrinho muito cedo tão cedo que nem tinha ideia do que estava acontecendo naquele dia. Hoje percebo tudo e fico sim triste com o ocorreu à ele, e apesar de já ter me conformado com sua partida ainda fico triste quando penso nele, mas assim como a coluna diz, não posso ficar triste porque ele não iria querer que eu ficasse e minhas lembranças do tempo que eu passava ao seu lado com certeza serão enternamente eternas!!!
Parabéns Thayz, você é uma ótima escritora! ♥
QUE PERFEITO! e no exato momento da minha leitura começou a música “I Feel Pretty/Unpretty” do Glee eu sei que não tem a ver com isso,mas é bem emotiva,e lendo esse texto,quse chorei hsuahsuhausha =]
Mas sério,lindo mesmo.
Parabéns Thayz!
Belíssimo texto, Thayz!
Realmente, temos que nos apegar as lembranças, pois só elas resistem ao que a morte é capaz de apagar.
Adorei o texto!^^ É inevitável que as pessoas das quais gostamos partam um dia…o melhor a fazer nessas situações é deixar o sofrimento vir, chorar e lamentar tudo o que tiver que ser lamentado. E aí, depois de chorarmos a perda, devemos levantar a cabeça e continuar nossas vidas, lembrando-nos não do momento da perda em si, mas dos momentos bons que passamos quando aquela pessoa querida ainda estava viva, sem nos esquecer de procurar ver beleza e alegria na nossa vida atual, sem a pessoa em questão. Quem não consegue olhar pra frente acaba mesmo virando uma pessoa amarga e desagradável, como uma senhora que eu conheço. Ela é tão ferina e rancorosa que parece até vilã de desenho da disney, xD. É o tipo de pessoa que não ri por absolutamente NADA , e vive criticando tudo…acho que se tornar esse tipo de pessoa deve ser a pior infelicidade que alguém pode encontrar.
Quando se perde uma pessoa (ou duas), perde-se um pedaço de si. Experiência própria.
O problema é nunca mais poder abraçar essa pessoa, saber que nunca mais vai poder vê-la.
As lembranças doem. Porém, eu nunca os esquecerei.
Sempre penso neles, e eles escutam meus pensamentos.
Adorei o texto.
Aliás, olá. Sou novo aqui, bom, já frequento este blog há um bom tempo, mas nunca parei para postar, mas este texto é irresistível.
Muito bom mesmo.
Nossa, pelo tema deve tá foda a coluna, mas só vou ler amanhã porque tá tarde. >.<'
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Nossa, maravilhoso. Encontrei o blog no google, li o texto e estou completamente apaixonada. Fã de HP sabe exatamente o que está descrito no texto.
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